segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Livro do Daniel Goleman - Liderança - 2


Caso George Lucas


Quero compartilhar com vocês uma passagem do livro que ressalta a necessidade do controle cognitivo e também a importância do respeito a intuição.


Trecho retirado do livro Liderança –
 A inteligência emocional na formação do líder de sucesso 
 Daniel Goleman,
Página 118 a 119



Nos executivos, o controle cognitivo contém a chave para competências de liderança como a autogestão --- a capacidade de se concentrar em uma meta e a disciplina para persegui-la apesar das distrações e reveses. Os mesmos circuitos neurais que permitem a realização obstinada de metas também controlam as emoções rebeldes. Um bom controle cognitivo pode ser visto nos executivos que permanecem calmos durante crises, dominam sua própria agitação e se recuperam do fracasso ou derrota.

A autoconsciência pode ser vista também naqueles executivos que são claros e francos sobre suas forças e seus limites. Embora isso signifique que possam ser confiantes em seu desempenho quando estão aplicando essas forças, também significa que sabem quando suas limitações recomendam que recorram a outra pessoa com fortes habilidades nessa área.

Outra variedade de autoconsciência nos sintoniza com os circuitos neurais internos que monitoram todo o nosso corpo, inclusive nossos algoritmos éticos internalizados para o que parece certo ou errado. Esses circuitos cerebrais primordiais enviam suas mensagens para nós através do corpo, particularmente as vísceras. O neurocientista da Universidade do Sul da Califórnia (USC) António Damásio chama essas sensações viscerais de “marcadores somáticos”, um leme interno que, para qualquer decisão, nos informa a soma total de lições pertinentes obtidas de nossa experiência de vida.

Nossa intuição do que fazer --- e o que não fazer --- nos dá orientações compatíveis com nossos valores. Quando um jovem cineasta viu como o estúdio para o qual trabalhava editou seu primeiro grande filme, ficou profundamente contrariado por ter perdido o controle criativo. Assim, pegou o dinheiro arrecadado com aquele filme e fez um segundo por conta própria, apesar dos conselhos de todos os amigos da área para que deixasse que um estúdio investisse o dinheiro --- e não pusesse seus próprios dólares em risco. Mas ele achou que integridade artística de seu filme era mais importante.

Quando estava quase finalizando o filme, seu dinheiro acabou. Um banco após o outro rejeitou seus pedidos de empréstimo. O Décimo bando ao qual recorreu enfim concedeu o último financiamento de que precisava. Aquele empréstimo de última hora permitiu que George Lucas finalizasse Guerra nas estrelas.

Claro que seguir seu coração não garante um império empresarial como a LucasFilm. Mas aumenta as chances de achar o que os pesquisadores chamam de “trabalho bom”, que combina nossos valores, aquilo em que nos destacamos e o que adoramos fazer. Líderes que encontram em seu trabalho essa rara combinação de ética, excelência e prazer orientarão com energia e entusiasmo contagiantes.

Fiquem com Deus e até o próximo post.
Nivaldo J Silva